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Criminal

MP consegue condenação de PM que matou perueiro inocente

Policial plantou arma para incriminar a vítima



O Ministério Público do Estado de São Paulo conseguiu a condenação de policial militar que matou um perueiro em 2001, por não acatar voz de prisão. O PM Cláudio José da Fonseca foi preso em plenário, no último dia 24 de julho, e condenado a 16 anos e 4 meses de prisão pelo crime de homicídio qualificado pelo motivo torpe e pelo emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima.

O Promotor de Justiça Carlos Roberto Marangoni Talarico, responsável pela acusação, comparou o crime ao caso Pixote, eternizado nas páginas do livro Rota 66, do jornalista Caco Barcelos, que foi morto encolhido debaixo de uma cama. 'O perueiro também foi morto escondido no quarto, próximo a cama e de maneira cruel', disse o Promotor. 'O Ministério Público está dando uma resposta à sociedade', completou.

O crime aconteceu em setembro de 2001, após o motorista da van sair em fuga de um patrulhamento de rotina da PM, na zona Sul de São Paulo. O motorista parou para se esconder na casa do avô, e apesar do cerco policial, não respondeu a voz de prisão, tornando-se vítima do assassinato pelo simples fato de não parar a van quando ordenado. O perueiro foi morto com diversos tiros e ainda foi vítima de um golpe, pois uma arma foi plantada no local. A denúncia foi de autoria de Sandra Jardim, hoje Procuradora de Justiça.

Em sua sentença, o juiz Roberto Zanichelli Cintra, da 1ª Vara do Júri, relata que 'o contexto em que os fatos se deram evidenciam que o dolo empregado pelo agente foi acima do normal à espécie, agindo o acusado de maneira fria e indiferente à vida humana'.