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Criminal

Operação do GAECO prende Delegado de Polícia de Birigui

Investigação apontou liberação ilegal de veículos mediante pagamento de propina

Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) - Núcleo Araçatuba, em conjunto com a Corregedoria da Polícia Civil, prendeu, na manhã desta sexta-feira (21/11), um Delegado de Polícia de Birigui e um comerciante de automóveis, investigados por um esquema ilegal de liberação de veículos apreendidos pelo Estado, adulteração de chassi e outros crimes. Uma terceira pessoa, que atuou no ramo de laudos de veículos, foi presa durante a operação por porte ilegal de armas.

Dois mandados de prisão temporária e nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Birigui e Penápolis durante a operação que mobilizou oito Promotores de Justiça (dos núcleos do GAECO de Araçatuba e Piracicaba e Promotores de Justiça Criminais); nove Delegados da Corregedoria da Polícia Civil lotados nas unidades Capital, Ribeirão Preto, Presidente Prudente, Bauru e Sorocaba), além de oito agentes do GAECO.

Os mandados foram cumpridos na Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Penápolis, Delegacias, Despachante, Auto-Socorro e residências, locais onde foram recolhidos mais de mil documentos de veículos, dinheiro, extratos bancários e comprovantes de depósitos bancários.

De acordo com as investigações, iniciadas em janeiro, a partir de denúncia enviada por email ao GAECO, o esquema era liderado por um Delegado que hoje atua em Birigui e que, de 2007 até maio deste ano, foi diretor da Ciretran de Penápolis. Ele somente deixou a função quando uma reforma administrativa desvinculou as Ciretrans da Polícia Civil.

Investigações de campo e interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça demonstraram que o Delegado recebia propina para liberar veículos apreendidos e com restrições administrativas que impediriam sua circulação e transferência de propriedade. Também utilizava de sua função para viabilizar que veículos furtados ou sinistrados ganhassem nova documentação, mediante a remarcação do chassi, possibilitando a sua negociação no mercado. O valor da propina recebida pelo Delegado variava de R$ 300 a R$ 3 mil, chegando a R$ 10 mil em alguns casos.

Os Promotores descobriram que o pagamento de propina era acertado em encontros que o Delegado marcava na sua residência, na própria Delegacia ou na frente da Ciretran de Penápolis - mesmo depois do mês de maio, o que ele fazia para dar aparência de que ainda atuava no local.

Nas interceptações telefônicas o Delegado também foi flagrado orientando um foragido condenado pela Justiça.

De acordo com os Promotores de Justiça Marcelo Sorrentino Neira e Gabriel Marson Junqueira, do GAECO, nas investigações foram colhidas provas da prática, pelo Delegado, dos crimes de adulteração de sinal de veículo automotor, peculato, corrupção passiva, falsidade ideológica, violação de sigilo funcional, favorecimento pessoal, advocacia administrativa e formação de quadrilha. Eles já solicitaram à Justiça a quebra dos sigilos bancário e fiscal do Delegado, que tem mais de 35 anos de carreira.