Em coletiva da Operação Última Parada, PGJ reforça importância do trabalho interinstitucional
Em coletiva da Operação Última Parada, PGJ reforça importância da atuação integrada
GAECO e Polícia Civil cumpriram mandados para combater presença de facção em sistema de transporte
"Este foi mais um resultado de um trabalho integrado entre o Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), e a Polícia Civil, envolvendo o emprego de ferramentas de inteligência e estratégia". Foi assim que o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, abriu a entrevista coletiva concedida em São Paulo na manhã desta quinta-feira (25/6) para detalhar a jornalistas a Operação Última Parada. O objetivo das diligências foi cumprir mandados no âmbito de uma investigação que se debruça sobre a infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC, no sistema de transporte público paulistano.
Um dos coordenadores da operação, o promotor de Justiça Danilo Pugliese explicou que a Última Parada decorre de outra operação, a Fim da Linha, deflagrada em 2024, e investiga delitos de lavagem de dinheiro praticados por intermédio de concessionárias. Lastreados por quebras de sigilo, análises técnicas, provas documentais e apreensão de materiais telemáticos, os investigadores concluíram que a empresa Transunião foi usada para simular a licitude de recursos obtidos pelo crime organizado. "Foram expedidos mandados de busca e apreensão para 103 locais, além de cinco mandados de prisão". Houve ainda o deferimento de ordens de bloqueio na ordem de R$ 197 milhões, assim como de 117 veículos e três embarcações, além do sequestro de 21 imóveis", anunciou. Um dos presos é um vereador por São Paulo. Ainda de acordo com Pugliese, o capital social da Transunião passou de R$ 100 mil para R$ 50 milhões, manobra considerada nebulosa e voltada à disputa de licitações. Ela é possibilitada, por exemplo, pela injeção de dinheiro ou ingresso de bens.
O também promotor Lincoln Gakiya reforçou o caráter integrado da Última Parada, que uniu esforços do GAECO e Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) em trabalhos cujos resultados apontaram que, só no primeiro semestre, a Transunião recebeu cerca de R$ 180 milhões em subvenções do Poder Público. "A direção dessa pessoa jurídica foi capturada pelo PCC, tendo ainda um braço no Legislativo municipal", disse.
Segundo o diretor do DEIC, Ronaldo Sayeg, as averiguações começaram em 2020, a partir do assassinato de Adauto Soares Jorge, então dirigente da empresa. Segundo o apurado, o homicídio se deu como represália por desvios de dinheiro. "Esse comportamento é típico do crime organizado, pois uma empresa de ônibus não manda matar quem desvia dinheiro. Já o PCC, sim".
"Tivemos hoje um sinal importante de que estamos combatendo as forças do crime organizado enraizadas na economia formal", garantiu o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Artur Dian. Ele acrescentou que, durante o cumprimento dos mandados, as autoridades encontraram quatro fuzis de assalto e drogas sendo embaladas para o comércio.
Oliveira e Costa acrescentou que a Prefeitura de São Paulo já foi notificada quanto à urgente necessidade de assumir a gestão da Transunião. "Não há nenhum interesse em prejudicar o serviço prestado ao cidadão. Nossa atuação é no sentido de acompanhar a execução dos contratos, sem prejuízo dos órgãos de controle", garantiu.
De acordo com o MPSP e a Polícia Civil, no curso da investigação comprovou-se a existência de um núcleo paralelo que toma as decisões relativas à empresa, incluindo a transferência de valores para criminosos ligados ao PCC. Outro fator que chamou a atenção do MPSP e da Polícia Civil foi o fato de o circuito econômico usado para a lavagem de capitais detectado na Operação Última Parada ter pontos de contato com os dos esquemas investigados nas operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi, esta última deflagrada pela Polícia Federal com foco no tráfico internacional de drogas envolvendo o PCC e a 'Ndrangheta, grupo mafioso sediado na Itália.
Em 2024, o GAECO deflagrou a Operação Fim da Linha, desarticulando duas organizações criminosas que lavavam recursos ilícitos do PCC, provenientes de tráfico de drogas, roubos e outros delitos, por intermédio da UPBUS e da Transwolff, duas empresas de ônibus responsáveis pelo transporte de aproximadamente 700 mil passageiros diariamente na maior cidade do país. Elas receberam mais de R$ 800 milhões de remuneração da Prefeitura de São Paulo em 2023.