Investigados na Operação Sharks tornam-se réus após denúncia do Gaeco
Investigados na Operação Sharks tornam-se réus após denúncia do Gaeco
Dezenove ligados ao PCC responderão por organização criminosa e lavagem de dinheiro
Nesta sexta-feira (23/10), o juiz Ulisses Augusto Pascolati Junior, da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, recebeu a denúncia oferecida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) contra 19 integrantes da organização criminosa PCC. Investigados na Operação Sharks, todos eles tiveram prisão preventiva decretada.
Os promotores obtiveram ainda o bloqueio judicial de R$ 72.322.585,90, sendo o valor de R$3.806.451,89 referente a cada uma das 19 pessoas. O bloqueio atingiu contas bancárias e ativos financeiros de 12 pessoas físicas e 23 pessoas jurídicas ligadas aos denunciados, por haver suspeita de atuarem como 'laranjas' ou empresas de fachada para o grupo criminoso. Também foram sequestrados, por ordem judicial, 14 imóveis, alguns deles de luxo.
Os crimes apontados na denúncia são de organização criminosa e lavagem de dinheiro. As investigações, que se iniciaram no primeiro semestre de 2019 a partir do cruzamento de múltiplos dados, foram conduzidas por uma força-tarefa composta por seis promotores de Justiça e agentes de investigação, com apoio da Polícia Militar.
As provas colhidas revelaram que a cúpula da facção movimentou, no período investigado, mais de R$ 1 bilhão. Esse dinheiro provinha, basicamente, do tráfico de drogas e da arrecadação de valores de seus integrantes, tudo contando com rigoroso controle por meio de planilhas.
As investigações revelaram ainda a cadeia logística do tráfico de drogas realizado pela facção, bem como a sucessão entre suas principais lideranças à frente da fonte de maior renda da organização criminosa, apontando a participação de 21 pessoas.
Para ocultar a movimentação bilionária, os denunciados compravam bens e se valiam de imóveis com fundos falsos, onde guardavam dinheiro vivo antes de realizar transferências, muitas vezes por intermédio de doleiros. Também recorriam a empresas em nome de terceiros para movimentar valores.
Entre os denunciados estão as principais lideranças do PCC atualmente em liberdade e algumas já presas. Alguns integrantes da facção se encontram no exterior, comandando atividades logísticas a partir de outros países. Dos 21 envolvidos, dois faleceram durante as investigações.
Principal liderança de rua do PCC, à frente da chamada 'Sintonia Final da Rua', o denunciado M.R.A, atualmente foragido, é o responsável por comandar os integrantes soltos da organização criminosa, mantendo contato direto com a cúpula da facção que está no sistema prisional. Ele é suspeito de ser responsável pelos planos de fuga das lideranças da facção reclusas em presídios federais, e ainda de liderar os planos de assassinar agentes e autoridades públicas em represália às transferências e às ações contra a cúpula da organização. Também ostentava cargo de adido da Embaixada de Moçambique. Na prática, M.R.A. sucedeu 'Marcola', incomunicável após decisão tomada em atendimento a pedido do Gaeco, como principal liderança e mandatário da facção.
A força-tarefa do Gaeco segue trabalhando para localizar os foragidos e analisar o conteúdo dos documentos e equipamentos eletrônicos apreendidos durante a operação.